BOMBEIROS FORMAM 500 NOVOS “GOLFINHOS”
Um projeto de férias que combina disciplina com diversão e aprendizado é realizado há cinco anos nas praias de Maceió. No mês de dezembro, centenas de pais buscam inscrever seus filhos no Projeto Golfinho – parceria entre Corpo de Bombeiros e a empresa Braskem. O evento ocorre durante as férias de janeiro. Neste sábado, 30, no Clube dos Oficiais Militares, uma grande festa receberá todos os golfinhos 2010 para a premiação dos melhores colocados nas competições realizadas durante o projeto. O início da comemoração está previsto para as sete e meia da manhã.
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Sub Ten Amélia Sandes
Para este ano foram disponibilizados 500 vagas para as crianças interessadas com idades entre 8 e 13 anos. Em dois dias, as inscrições foram encerradas com todas as vagas preenchidas.
Cada criança passou uma semana vendo instruções sobre afogamentos, perigos no mar, incêndio, primeiros socorros, preservação do meio ambiente, noções de segurança para criança e drogas. Os horários eram divididos entre instruções, educação física e recreação. O cenário, um dos mais belos e visitados do Brasil, a belíssima praia de Pajuçara, bem em frente à piscina natural, era um doce problema para os instrutores que precisavam apaziguar os ânimos da garotada, ávida para entrar na água a todo instante com o já conhecido bordão: “Tia, vamos tomar banho de praia hoje?”.
Entre tantas crianças ansiosas pela colônia de férias, estava Gabriel Lúcio de Souza Melo, 11 anos. Bitolado à dupla moderna, tv-computador, chegou no primeiro dia resistente às regras e repetindo que não queria estar ali, que fora obrigado pela família e que às 10 horas queria assistir seu desenho preferido.
Ao ser indagado se não achava interessante conhecer coisas novas e brincar de forma diferente a que estava acostumado, disparou: “Quero viver do meu jeito e ganhar dinheiro com criação, arte. Não posso?”, perguntou desafiando os instrutores. Ouviu como resposta que no último dia da semana, ele diria, sem pressão, que gostaria de voltar à colônia. Na manhã seguinte Gabriel já afirmava que no próximo ano será novamente um “golfinho”.
GOLFINHOS ESPECIAIS
Entre os golfinhos considerados normais, alguns se destacaram pelas limitações físicas e auditivas. A cada semana os instrutores precisavam vencer o desafio de lidarem com crianças que necessitavam de maiores cuidados e dedicação. Um dos instrutores, o Soldado do Corpo de Bombeiros, Tarsis da Melo Calheiros, era responsável pelo acompanhamento das crianças com deficiência auditiva. As instruções eram repassadas a estas crianças pela linguagem de sinais.
Giovanna Maria Correia, 10 anos, portadora de deficiência física e mental participou pela segunda vez do Projeto Golfinho e novamente deixou sua marca de força de vontade. Exemplo de disciplina, independente de sua condição física, impressionava pela forma como obedecia aos comandos em momentos cívicos com a posição de respeito aos Símbolos Nacionais. Sim, “golfinhos” tinham rotina de hastear e arriar a Bandeira Nacional, cantar o Hino Nacional e o Hino de Alagoas – com a mão no peito esquerdo.
Para deslocar Giovanna durante as atividades, a coordenação do projeto disponibilizou um instrutor especialmente para ela. Na sexta-feira, dia do circuito onde são testados os conhecimentos adquiridos durante a semana, os “golfinhos” precisam correr para cada local onde as perguntas são feitas, inclusive rastejar em pouco mais de dois metros. Giovanna abriu mão da calça que protegeria seu joelho e fez a prova completa no tempo de 3’20”81’”, enquanto o Soldado Gleriston Oliveira de Lima, que instruía todas as crianças durante a prova, acompanhava “Gio” como era carinhosamente chamada, de joelhos e rastejava com ela até a prova seguinte. Quando foi indagada por quem estava torcendo, respondeu: “Por mim e por ela”, referiu-se abraçando a colega Riviane Conceição, sua vizinha no pelotão. Ao saber que a amiga era a grande vencedora, sorriu numa mistura de felicidade e euforia.
Para o psiquiatra Abel Cordeiro, que acompanhou o Projeto Golfinho, a importância principal da integração de crianças especiais em projetos deste tipo é a ressocialização, principalmente nesta fase da vida, já que as crianças não tem preconceito. “Quando uma criança especial participa das ações comuns à outras crianças consideradas normais, melhora seu desenvolvimento devido a interação. Precisamos um do outro para viver. Isolamento causa prejuízo mental até para pessoas sem histórico de doença”, afirma o psiquiatra.
Um dos pontos observados no pelotão Nemo, composto por crianças com idades entre 8 e 9 anos, foi o aprendizado, mesmo que pequeno, de todas as crianças com a linguagem de sinais, para integrar um dos coleguinhas que não fala nem ouve.
Para o Major Jack Emerson Viana, coordenador de todas as edições do Projeto Golfinho, o mais importante da colônia de férias é o aprendizado, a disciplina e a camaradagem das crianças. “Ao longo de cinco anos do Projeto, mais de mil e quinhentas crianças nos foram confiadas. Se entre tantos “golfinhos” um só ajudar a salvar uma vida, poupar alguém de acidentes ou afogamentos, nosso trabalho valeu muito a pena” diz o Major que se sente cansado, porém “gratificado com o sorriso na face das crianças”.
Aprendizado foi o que não faltou aos pequenos. Ao ouvir a retrospectiva da semana com enfase sobre meio ambiente e a importância da liberdade dos pássaros, que ajudam a plantar árvores, João Victor Bezerra, 10 anos, mostrou sua indignação:“O passarinho é preso sem fazer nada, inocente!”. Aparentemente, mais um aliado que a natureza ganha.<!-- /* Style Definitions */ p.MsoNormal, li.MsoNormal, div.MsoNormal {mso-style-parent:""; margin:0cm; margin-bottom:.0001pt; mso-pagination:widow-orphan; font-size:12.0pt; font-family:"Times New Roman"; mso-fareast-font-family:"Times New Roman";} @page Section1 {size:612.0pt 792.0pt; margin:70.85pt 3.0cm 70.85pt 3.0cm; mso-header-margin:36.0pt; mso-footer-margin:36.0pt; mso-paper-source:0;} div.Section1 {page:Section1;} -->
Depoimento de Nadja Maria Correia Nascimento, mãe de Giovanna, 10 anos, portadora de deficiência física e mental e “golfinha” pela segunda vez consecutiva:
“Giovanna nasceu normal e com sete dias de vida apresentou icterícia tardia, doença que, segundo os médicos é rara. A anormalidade afetou a área motora dela, porém o cognitivo é preservado. Ela estuda em escola normal, e lá sempre participou de todas as atividades. Agora quer fazer balé. Quando surgiu a oportunidade do Projeto Golfinho, mostramos a ela como era, que amou a idéia. Tanto que este é o segundo ano que ela participa. Apesar do projeto ser de muitos movimentos, Giovanna participa de praticamente todas as atividades. A preocupação é com os joelhos dela. No ano passado, no dia do circuito, colocamos uma joelheira e ela realizou a prova .
Tudo isso é um estímulo para o cérebro. Por isso a colocamos para participar de tudo que lhe traga benefícios. Ela tem vontade de correr, de fazer o que outras crianças fazem, como dançar balé sem cadeiras de rodas. Por outro lado pinta, participa de gincana, de teatrinho...
Na escola Giovanna vai cursar o 5º ano, uma conquista depois de muitas brigas para garantir o direito de minha filha ao ensino e ao respeito pelas suas limitações físicas e motora. No primeiro ano que ela estudou, chegou em casa com todas as notas baixas e a família sabia que a menina tinha conhecimento dos assuntos. Mesmo vendo as limitações físicas dela, em dias de prova, a escola dava a Giovanna o mesmo tempo para responder as questões que as outras crianças tinham. Reivindiquei educação especial e tiveram que aumentar o tempo para Giovanna responder as questões. Compramos um notbook e hoje ela faz prova com ele, na sala de aula.

